Alergias alimentares e novas orientações da alergologista (consulta dos 3 anos)

Quem nos acompanha há mais tempo sabe que a Camila tem alergia a múltiplas proteínas e suas restrições, no momento, são as seguintes:

*Leite e todos os derivados dele (manteiga, margarina, creme de leite, queijos…)

*Ovo (todo o qualquer tipo de ovo)

*Soja

*Castanhas, Amendoim, Amêndoas,  

Avelã, Nozes e todas as outras oleaginosas 

*Banana

*Mamão 

*Kiwi

*Caju 

*Pêra

*Abobrinha

*Batata Doce

*Corantes 

*Alguns conservadores (então ela não pode consumir leite de côco industrializado, nem milho enlatado, por exemplo).

Vocês sempre me perguntam como eu descobri esse tanto de alergias nela e a resposta é a mais simples possível: tentativa e erro, infelizmente não existe outra forma. Então, depois que o quadro clínico era de reações em mais de uma situação, fizemos os testes e eles só confirmaram o que já sabíamos. Eles, por sua vez, também mostraram que a alergia dela é mediada por IGe (Imuno Globulina E) para a maioria dessas proteínas, e isso quer dizer que, via de regra, que Mila tem um pouco mais de dificuldade para adquirir a tolerância oral e podemos “monitorar” o nível de sensibilidade dela através dos exames de sangue. Mas, vocês sabem que alergia é uma “caixinha de surpresas”, né? Além de tudo os exames são sempre complementares, ou seja, a clínica é soberana tanto para definir diagnóstico quanto para determinar o tratamento. 

Agora com 3 anos de idade, que os médicos falam muito em ser uma idade “decisiva” e muitas das alergias desaparecem como que por um “passe de mágica”, a alergologista dela solicitou outra bateria de exames e pelos resultados ela redefiniu a dieta da Mila: 

1 – Para a banana, o mamão , a pêra,  o kiwi, a abobrinha, a batata doce, a soja, que o IGe deu baixo ou nulo, ela me orientou a fazer o teste de provocação oral (TPO). Imaginam a.minha felicidade e a da Mila quando soube que ia testar a banana? Quando soubemos que talvez ela já tolere também o mamão? Principalmente agora que ela vai para a escola e gostaríamos que sua lista de “proibidos” estivesse, pelo menos, menor. 

As frutas aqui de casa são todas lavadas (mesmo as laranjas, que não comemos a casca, por exemplo) e armazenamos a banana em um local que Mila não tem acesso, em cima da geladeira. 

2 – Para o caju, as castanhas e o amendoim, ela me disse para mantermos a Mila bem longe, por enquanto. O caju foi de “tabela” por conta das castanhas e os outros, como têm um índice de alergenicidade maior, além de terem “positivado” nos exames de sangue, e como não existe muita necessidade de testarmos agora (ela pode muito bem passar sem esses alimentos), ficarão de fora da dieta no momento. 

3 – O leite e o ovo ficam de fora completamente da dieta da pequena. A orientação foi de exclusão total, porque os Iges, que ela esperava que estivessem abaixado, aumentaram. Ela me disse que era uma condição rara, que a maioria das crianças tinham os Iges diminuídos nesta idade e não existe uma explicação para este fato ter ocorrido com a Mila. Segundo a médica, inclusive, não pode ter sido porque ela está exposta aos traços desses alimentos e teria ficado mais sensibilizada, porque igualmente estava exposta a outras proteínas como a banana (que eu consumo normalmente e ela toma leite materno), mas seus Iges abaixaram. Ou seja, não tem um motivo ou “culpado” e a nossa conduta deveria continuar sendo a mesma. 

4 – Com relação a corantes e conservadores eu nem cheguei a perguntar a ela porque não existe necessidade ou vontade da nossa parte de testar isso por enquanto.

Acho legal compartilhar com vocês como está o “quadro clínico” da Camila atualmente. Ela teve uma reação alérgica mais grave ao cheiro do ovo faz mais ou menos um ano (foi logo depois da consulta que tivemos com 2 anos de idade). Depois disso ela nunca mais teve nada tão forte (com crise de asma, sensação de desmaio, ANGIODEMA de rápida evolução), mas quase que semanalmente apresenta umas reações mais brandas. Exemplo: foi visitar a escola e voltou para casa com um dos olhos vermelhos, levemente inchado e com poucas URTICÁRIAS . Nesta ocasião não precisou nem ser medicada. Lavamos as áreas afetadas, as mãos e ela ficou bem. Na praia quase sempre, quando brinca com outras crianças, também apresenta URTICÁRIAS (alergia ao protetor solar), nas festas que vai também volta e meia tem uma pequena reação. Mas ela também não consome nada dos “proibidos”, também nunca mais foi exposta ao cheiro do ovo, mesmo assim seu quadro não é considerado totalmente estável. 

A alergista tinha solicitado exames de IGe para ácaros, pensando na possibilidade dessas URTICÁRIAS que estão aparecendo em Camila serem reação a eles, porém, como deu tudo negativo e ela não teve uma única crise de asma este ano, infelizmente, as chances são pequenas. O mais provável ainda é a hipótese da alergia alimentar. 
Ela me falou ainda alguns outros pontos interessantes e vou compartilhar com vocês: 

— A proteína do ovo que mais está ligada às reações graves, com choque anafilático, a OVOMUCÓIDE, não positiva nos exames da Mila. Ela tem exames positivos para OVOALBUMINA. Isso significaria que ela não teria fortes chances de anafilaxia estando em contato com essa proteína, além de que ela é “quebrada” quando cozida, o que facilitaria a introdução do ovo em alimentos assados ou cozinhados, PORÉM, como já falei e vocês já sabem que a clínica é soberana no tratamento, a Mila, na contramão, reage de forma violenta a cheiro de ovo (o que seria, segundo a médica, mais comum em crianças com sensibilidade a OVOMUCÓIDE, que não é o caso da Camila). Por isso, ela não indicou ainda o TPO para o ovo.

— Ela comentou, inclusive, que é raro, mas infelizmente acontece, e é o caso da Mila, isso dos os Iges aumentarem para leite e ovo nessa idade dos 3 anos. Isso significa dizer que, estatisticamente, ela pode estar no grupo de crianças que demorariam mais para “curar” e principalmente com relação ao ovo, poderia ter essa restrição alimentar por toda a vida.

Eu acho que vocês já devem ter ouvido falar que  alguns médicos já estão utilizando 3 diferentes estratégias no tratamento da criança, de acordo com o histórico dela: exclusão total, protocolo baked (introdução através dos assados) e dessensibilização. Muitas mamães de crianças alérgicas que levaram seus filhos para São Paulo (e soube de uma equipe também em Fortaleza e que aqui em Recife já existe também) estão tendo alternativas para o tratamento de seus pequenos que, assim como a Camila, têm maior dificuldade para curarem de forma “espontânea”. Mas eu não tenho conhecimento sólido sobre o assunto, estamos pesquisando e pensando seriamente em irmos para São Paulo ouvir uma segunda opinião médica. Se vocês ainda não ouviram falar, pesquisem também porque temos recebido depoimentos muito positivos sobre o assunto. 

Então foi isso, gente. Essa semana começo os testes com as frutas e legumes liberados e estamos otimistas, mas como sempre: torcendo pelo melhor e esperando pelo pior, porque não tem nada pior do que criar expectativas que não são atendidas, né? 

Mais tarde, às 20:30, combinei com vocês um bate papo ao vivo no Instagram (segue lá: @tudosemleite) e podemos tirar algumas das dúvidas de vocês (prometo que um dia viro Youtuber, mas por enquanto, vamos de “Live”). 

Quem quiser pode deixar tambem a sua pergunta ou depoimento nos comentários que eu prometo responder com todo carinho. 

Um beijo para vocês,

Ju Jordán 

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5 comentários sobre “Alergias alimentares e novas orientações da alergologista (consulta dos 3 anos)

  1. Parabéns pela evolução da Camila! Aqui tb tenho um lindo garotinho alérgico ao leite,soja e ovo.
    Sobre as vacinas que contém ovo, Camila chegou a tomar alguma? Aqui estão suspensas por enquanto…
    Boa sorte nos testes!

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  2. Ola! Ótimo texto, muito esclarecedor. Minha bebe faz 6 meses, e ainda to aprendendo a identificar reações,cada vez que acontece vem com uma novidade! Sobre os sintomas da Mila (acho tão carinhoso essa forma de chamar), ela tem algum no trato gastrointestinal?

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  3. Olá! Descobri seu blog há pouco tempo, tenho muito o que ler! Acabei de ler sobre a consulta dos 3 anos da sua filha (Que é uma lindinha) e torço para que dê tudo certo. Mas devo confessar, fico com o coração partido de saber de casos de alergia múltipla (tanto pela criança quanto pela mãe). Meu filho tem 2a1m e é aplv (creio eu, imediado por IgE com reações mistas), diagnóstico aos 5 meses e meio. E tudo o que eu sei e entendo sobre o caso dele vem de pesquisas que faço, de blogs tão importantes e informativos, como o seu é. Por isso escrevo, quero lhe dar os parabéns pela iniciativa e agradecer por compartilhar sua história e de sua filha com tantas outras pessoas.
    Um detalhe me chamou a atenção no seu texto: você ainda amamenta sua filha, e pelo que entendi você consome banana, embora ela seja alérgica. Fiquei curiosa quanto ao leite de vaca e derivados. Você faz ou já fez em algum momento dieta de exclusão? Eu também amamento meu filho e sigo na dieta até hoje (1 ano e 7 meses de dieta). Claro, temos acompanhamento de pediatra e Alergista, mas sinto falta de trocar experiências com outras mães aplv.
    Me desculpe pelo textão!

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    1. Olá, Lu! ♥️ A nossa luta diária é menos dolorosa por sabermos que não estamos sós, não é verdade?
      Ainda amamento a Mila e fazemos dieta juntas há mais de 2 anos para leite e derivados e de ovo e oleaginosas há mais de 1 ano. Tudo foi a orientação médica, que me liberou de consumir as frutas e os legumes (mesmo os que ela tem alergia). Camila não reage a traços e a médica disse que para as frutas ela não se sensibilizaria, já as oleaginosas, por exemplo,.mesmo.para as proteínas que eu consumia e ela não reagia via leite materno (como o amendoim), poderia sensibiliza-la e deixá-la mais exposta a elas, dificultando a tolerância oral no futuro… Mas confesso que é tudo muito confuso e estou pensando em pedir uma segunda opinião médica para me tranquilizar mais sobre isso porque esse final de semana testamos banana por orientação da alergologista e Mila reagiu feio… Enfim… Vida de mãe de alérgico é assim mesmo, né? Um beijo para você e se precisar estamos aqui. ♥️

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