Vivendo a alergia sem neura 

Se a gente parar para pensar de verdade, não dá para deixar nossos filhos viverem para sempre dentro de uma redoma de vidro, por mais que seja difícil, por mais que pareça impossível, é vital para eles e para nós esse “deixar viver”.

Eu não conto sobre todas as crises alérgicas da Mila a vocês primeiro porque penso que alguns vão achar que estou “inventando” porque volta e meia ela apresenta algumas reações (e nem são tão bobas assim, tipo: ontem ela teve angiodema e umas duas pequenas plaquinhas vermelhas na região da boca, possivelmente depois que passamos um medicamento novo nela). Segundo porque penso que pode deixar vocês aflitos e preocupados até mais do que eu, que já estou aprendendo a conviver com essa “situação” com o máximo de leveza possível, já que não tem jeito né? E terceiro porque eu confesso que tem vezes que prefiro até esquecer sobre este assunto e tentar me libertar mais do rótulo: “minha filha é alérgica”, porque a vejo como alguém muito saudável e bem normal. 

Apesar das crises, sempre me ensinando a sorrir e a levar tudo com mais leveza, esta é a minha filha.

O pediatra dela vive me falando, inclusive, que ela é uma das crianças mais alérgicas que ele já viu. Ela não tem só alergia a alimentos (leite, ovo, soja, banana, mamão, kiwi, abobrinha, caju, oleaginosas, corantes, batata doce, alguns conservantes), como também a medicamentos (nem vou mostrar a lista porque não vale a pena), hidratantes, protetor solar, possivelmente a látex, e talvez a mais coisas. Eu DETESTO comparar e não acho mesmo que porque ela tem reações mais severas, ou porque reage a muita coisa, ou ainda porque tem maior probabilidade de complicações nas crises alérgicas, ela tem uma alergia mais importante do que a de um amiguinho dela cujas reações são mais brandas. De jeito nenhum! Toda alergia é um limitador na trajetória da pessoa, seja maior ou menor, mas a forma como encaramos essa situação é o que vai fazer a diferença na nossa qualidade de vida e daqueles que nós amamos. 


A gente tem valorizado mais as reações que nossos filhos estão tendo devido às alergias que apresentam por ora ou o quanto ele tem pedido por respeito e inclusão o que poderia mudar seu modo de ver o mundo e agir pelo mundo por toda uma vida? 

Conviver em locais que estão cheio de “vilões” e “alergênicos”ou e em uma sociedade onde as pessoas não conhecem profundamente sobre o tema alergia, e em sua maioria minimizam algo que é extremamente importante é um desafio e tanto! No parquinho? crianças correndo e comendo pipoca amanteigada. Almoço na sogra? De entrada: amendoim. Prato principal: Camarão com catupiry e de sobremesa sorvete de creme com passas. Na escola? Aniversariantes do mês onde a diretora sugere que a sua filha esteja sempre ausente para não ter risco de “adoecer” depois da festa. A gente escuta e vivencia cada absurdo, né? A gente se entristece e às vezes se afasta. Mas depois de um tempo a gente aprende que essas situações existem e ponto,  mas não podemos definir nossa vida de acordo com elas. 



O amor das pessoas que nos rodeiam vale mais que a sua ignorância momentânea e com certeza nossos filhos sabem disso melhor do que nós. Aquela avó que dá comida escondida ao neto porque não acredita de verdade que ele tem qualquer alergia e que é “frescura” da mãe e do pai, o ama profundamente. Não digo que ela está correta, mas completamente equivocada na sua ação. Porém, para mim, a saída não é se afastar. É acolher. É conviver. É ensinar e é aprender. 


A “porcaria” da mãozinha suja de sorvete do amiguinho que estava entrelaçada na mão da sua filha lá no parquinho foi tão importante para ela se sentir querida e amada que ela nem ligou para as urticárias que ficaram por lá por uns 7 minutos. 

Não estou dizendo aqui que devemos “chutar o pau da barraca” e esquecer da importância que tem o tema, negligenciando cuidados para com os nossos pequenos. Longe de mim. Mas sou da opinião de que ter a bolsa sempre cheia de medicamentos receitados pelos médicos para as emergências e o coração tranquilo é a melhor solução. 

Mas sei que isso é muito e muito e muito difícil pra caramba! Por isso nos tornamos a cada dia mais fortes não só por nós, mas por aqueles que amamos.

Beijos,

Ju Jordán

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3 comentários sobre “Vivendo a alergia sem neura 

  1. Lindo texto Ju.
    Aqui as reações da Ísis são gastrointestinais, uns carocinhos que aparecem não redor da boca(ainda n consegui identificar de quê), além de pouco ganho de peso e crescimento. E ter que ouvir sempre: nossa ela tem 1a5m? achei que ela tinha meses. Doi na alma. Mais enfim vamos aprendendo a lidar com isso e vamos incluindo nossos filhos na sociedade.

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  2. Lindo texto!
    É bem assim mesmo! O negócio é acalmar o coração e rezar, ter fé que uma dia as alergias vão passar, ou ao menos amenizar! E eqto isso seguir tomando todos os cuidados sem neuras.
    Um grande beijo pra vc e para as meninas! 😘

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  3. Lindo texto! Meu filho não é taaaao alérgico, mas mesmo assim eu era neurada com qualquer coisa. Hoje estou buscando o equilíbrio, pois apesar da alergia ele é uma criança saudável que precisa ter suad experiências de vida.
    Obrigada por compattilhar. Adoro seu blog!!!

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