Restrição sim, doença não! 

Eu ainda não tinha comentado com vocês, mas estamos passando por uma fase em que algumas reações alérgicas da Camila estão migrando para as vias aéreas baixas, ou seja, a famosa marcha alérgica está mesmo acontecendo por aqui. 

Os médicos que fazem o acompanhamento da saúde da pequena já tinham nos alertado sobre isso. Disseram que quando ela estivesse perto dos 2 anos de idade, as chances das alergias com reações na pele (urticárias, placas e dermatites atópicas) seriam menores, à medida que as respiratórias (rinite, asma) seriam maiores. 

Infelizmente esta previsão se concretizou e Camilinha já apresentou 2 pequenas crises de asma (com tosse seca e respiração irregular) depois dos 2 aninhos. A primeira vez foi logo após a brincadeira de piscina de bolinhas (que tem todo acúmulo de ácaros e possíveis alergênicos), já a segunda vez foi quando ela sentiu apenas o cheiro de queijo e de manteiga de garrafa (no dia dos pais na casa do sogro) e depois de uns poucos instantes a crise já estava montada. Além dos sintomas respiratórios, os olhos dela ficaram levemente inchados e vermelhos, coçando bastante. Nestas ocasiões, ainda apareceram urticárias na reagião da boca. 


Então a Alergologista da Mila nos pediu para que quando ela mostrasse qualquer indício de que ia ficar resfriada, já começássemos com o antialérgico, tudo para evitar que viessem as crises de asma. Faz 8 dias que ela está corizando bastante e com os olhos coçando (fomos até na oftalmologista da pequena, que nos disse se tratar de alergia mesmo e receitou um colírio). Fizemos conforme a orientação médica e ela está medicada desde então. Mas há 2 dias os sintomas aumentaram e ela ficou com o olho direito um pouco inchado e resolvemos dar o corticoide neste dia. 

Confesso que fiquei um pouco decepcionada. Tínhamos programação para o domingo e precisou ser adiada. Além do fato que as eternas incertezas que nos rondam continuavam presentes a nos atormentar: “será que ela está resfriada mesmo?” , “será que é alergia?”, “será que estamos fazendo faxina na casa como deveríamos?”, “será que foi o cheiro de algum alimento?”…

Mila não parava de coçar o olho direito e isso já nos deixou em estado de alerta.
Não consegui tirar foto dela que mostrasse o olhinho inchado como ficou, mas antes mesmo de piorar sempre damos o corticóide por precaução mesmo. Na ocasião estávamos jantando fora e o restaurante tinha alergênicos, por isso a dúvida se o cheiro dos alimentos poderiam ter ocasionado a crise.

Então com todo este quadro montado, ontem eu resolvi desabafar com um grupo de amigos. Dentre eles existe uma pessoa em particular que tem uma filhinha de 9 anos e que tinha restrições alimentares até os 7 anos.  O caso da menininha era um pouco diferente do de Camila, ela tinha intolerancia a lactose (por isso não conseguiu tomar leite materno), ao ovo e a soja. Passou todo este tempo sem poder comer estes alimentos. Sofreu bullying na escola e cresceu aprendendo a conviver com esta importante limitação em sua vida. Ela é uma garotinha muito especial e particularmente madura para a idade. Inclusive ela e Mila são amigas. 

A mãe dela me falou algo que me marcou e gostaria de compartilhar com vocês. Ela lembrou o quanto a filha dela tinha ganhado com esta situação. Que hoje ela é uma menina que se sente mais preparada para enfrentar as frustrações pelo caminho (que surgem na vida de todos, sejam indivíduos alérgicos ou não). Minha amiga falou que o corpinho da sua pequena poderia ter vindo debilitado, mas a “alma” era guerreira, otimista e com oportunidade de desenvolver uma habilidade muito importante: a resiliência. Ela ainda enfatizou que eu teria uma filha com mais capacidade de empatia do que a maioria das crianças da mesma idade: “Ju, ela vai entender a dor do outro e se importar de verdade com ela. São experiências que ela vai levar para toda a vida”. 

Gente, a minha amiga está certa! Precisamos começar a ver de verdade que os nossos filhos não estão doentes, eles têm restrições importantes e que nos cansam bastante, nos assustam por vezes e nos preocupam, mas também fazem com que cresçam e nos ajudem a crescer também. E sinceramente, o objetivo de todo pai e de toda mãe não é criar filhos como pessoas de bem e para o bem?


Nossos filhos são felizes em meio a tantas restrições, nós que às vezes nos esquecemos disso…

Beijos,

Ju Jordán

Anúncios

8 comentários sobre “Restrição sim, doença não! 

  1. Oi Ju. Engraçado, vc sempre compartilhando suas experiências e encaixando perfeitamente com as minhas… Aqui tá seguindo esse caminho também, nesse período de frio sofro muito com minha Valentina…há três semanas enfrentamos mais uma pneumonia e logo em seguida uma amidalite, somado a isso eu tbm peguei a amidalite para piorar e me enfraquecer, emocional e fisicamente zerooooo… Vivo em constante tensão, pois ano passado minha pequena teve uma pneumonia (neste mesmo período)…então começa a tosse e coriza fico louca, sem saber se é gripe se é alergia e etc… Vou marcar mais um médico para minha pequena, pois estava seguindo o tratamento muito rigoroso com diversas restrições e não vi tanto resultado. Sofro muito com tudo isso…resiliência, quero é preciso. Beijos.

    Curtir

  2. Ju, vc como sempre com sábias palavras que nos motivam a seguir olhando p o lado positivo da vida!😍 Obrigada por dividir suas experiências!🙏🙏 Preciso todos os dias dar uma passadinha aqui , no insta ou no face p ver vcs, assim me sinto bem melhor!❤❤❤ Aqui tbm estamos na marcha alérgica! Após os dois anos tivemos quadro de bronquite e agora por último uma sinovite transitória! 😢😢😢
    Ainda oro e sonho com o dia q a Mila e a Clarinha irão tomar banho de mar e vários sorvetes com direito a cobertura! 😍 😘 ❤ #juntassomosmaisfortes

    Curtir

  3. Com certeza Ju, restrição Sim, doentes não. As vezes tem pessoas que não vem até a mim falar, mais vai até outras pessoas da minha família perguntar, aliás afirmar que minha Filha é doente, e eu sempre disse pq não vem me perguntar que eu sei da a resposta que eles querem. Pq não é ser ignorante, mais ignorantes são essas pessoas que não sabe o que é. Pq sempre disse ela tem alergia como outra qualquer só que que a dela é ao leite. Como tem pessoas com alergia a camarão, a dipirona e por aí vai. E a dela é ao LEITE. Minha filha é saudável, Graças a Deus.🙏 Povo ignorante se não sabe não de palpites. Parabéns mais uma vez por nós ajudar. Boa Noite.😘

    Curtir

  4. Olá. Tenho 28 anos e sei muito bem o que sua filha está passando. Tinha APLV quando criança e com pouco recursos minha mãe custou descobrir o que eu poderia comer e o que não poderia. Vivia com urticárias. Com o tempo a alergia de pele passou pra respiratória assim como a de Camila, mas eu não cheguei a dar asma só bronquite e sinusite mesmo. Se quer um alento sua filha vai ter uma vida normal e, com tanto carinho dado por você, feliz. Claro com algumas restrições, como por exemplo ursos de pelúcia só ensacolados… mas que não fazem diferença nenhuma. Hoje minhas alergias são bem variadas. Um dia um copo de leite pode me fazer mal, mas no outro posso me entupir de sorvetes “normais” que não me causam nada. A gente vai aprendendo a conviver e viver com todas as restrições! Parabéns pelo site.

    Curtir

  5. Ju, lendo seu relato me emocionei bastante. Minha Camila, hoje com 1 aninho, tem alergia a proteina do leite, soja, ovo e amendoin, no inicio achava que era uma doença, hoje consigo enxergar que tem apenas uma limitação alimentar, e que compartilho desta limitação com ela, nunca precisou tomar leite artificial, apenas o leite materno com a sua Camila. Obrigada por compatilhar e sempre nos ajudar a vences esta barreira.

    Curtir

  6. Oi. Sou ma~e de um bebê chamado Heytor, ele 1 ano e dois meses, desde que ele nasceu eu procurei saber se ele tinha algum problema com leite, pois como eu sou intolerante a lactose pensei que ele poderia ter também e desde então a minha luta é constante para descobrir. Quando ele tinha oito meses eu o levei a um pediatra e ele me falou que ele poderia sim ter a intolerância, ate ai tudo bem. Mas quando ele completou 10 meses ele começou com os muito vermelho, com uma gripe que não tinha fim umas manchas vermelhas no corpo, então resolvi leva- lo em outro pediatra e essa pediatra falou que ele poderia ter alergia ao leite fiz todos os exames dele mas não foi identificado nenhum tipo de alergia, porém ele tinha me falado que nos exames não poderia ser identificado o tipo de alergia devido a idade dele. E hoje a minha maior dúvida esta se ele realmente tem alergia ou se é coisa da minha cabeça ou se ele só teve uma gripe.
    E hoje lendo tudo que escreve sobre sua filha achei muito bonito a sua inciativa em ajudar outras mães que também tem filhos com esse tipo de alérgia.

    Curtir

  7. Olá Ju, conheci seu blog recentemente e estou encantanda. Na verdade me senti acolhida por ver quantos pequenos vivem com a mesma restrição da minha filha. É realmente muito difícil fazer com que as pessoas entendam que eles são iguais a todos, apenas com essa “particularidade” que os fazem mais especiais. As palavras da sua amiga são perfeitas. Vi minha filha no seu texto. Obrigada pela iniciativa!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s