O desmame noturno 

Faz uns dias que eu compartilhei com vocês no Instagram e no SnapChat (segue lá: @tudosemleite) que nós tínhamos iniciado o desmame noturno com a Mila. Depois disso, várias mamães me pediram para contar como eu estava fazendo e resolvi postar por aqui porque poderia ser a dúvida ou curiosidade de mais pessoas. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria nos recomenda amamentar os nossos filhos até pelo menos os 2 anos de vida, por isso, eu sempre quis que fosse assim com a minha pequena por aqui. O nosso começo foi bastante difícil como com grande parte das mamães com os seus bebês (expliquei em detalhes aqui: https://tudosemleite.com.br/tag/amamentacao/,  então talvez por isso foi ainda mais importante conseguir realizar este sonho. Sim, digo sonho porque para mim sempre foi tão mágico poder alimentar um filho com algo que vem de dentro de você e dar mais que alimento: dar carinho, aconchego, segurança e  amor em forma de líquido. 

Mesmo assim não vou dizer a vocês que não tiveram noites em que eu chorei de cansaço enquanto amamentava pela enésima vez, que eu não pensei que ia desmaiar de tanto sono ou que eu estive sempre positiva com relação às nossas dormidas partidas e extremamente  intranquilas, mas sinceramente posso falar para vocês que aos poucos fui me acostumando com a situação e compreendendo que aquilo era natural da maternidade, que todo o meu esforço valeria à pena. No final do dia eu tentava deixar o meu mantra estava sempre vivo: “estou torcendo pelo melhor (que no caso seria uma noite de sono ininterrupta) e preparada para o pior (que seria acordar inúmeras vezes e não conseguir descansar como gostaria)”. 

Então passei 2 anos sem pensar muito no desmame noturno. Torcia para que Mila um dia fizesse como aquelas crianças que naturalmente, e sem muito esforço, um belo dia dormiam a noite inteira. Mas este dia nunca chegava. Claro que existiram algumas dessas noites “premiadas” em nosso caminho.  Mas realmente elas não foram muito comuns e muito menos se tornaram corriqueiras. Até esta idade eu até tentava conversar com ela em algumas ocasiões na madrugada: “Filha, vamos dormir. Mamãe está muito cansada. Amanhã cedinho você toma mais leitinho. Agora feche os olhinhos e tente relaxar, certo?”. Mas se isso não acontecesse, eu oferecia o peito e pronto! Nesse momento me vinha à mente: “tenha paciência, ela não está pronta ainda. Dê um tempo e ela vai se adaptar”. 

Quando ela completou 2 anos, eu comecei a pensar sobre o desmame noturno de verdade. Porém, os métodos que tinha pesquisado não estavam muito em acordo com os nossos valores pessoais, muito menos com a forma como estamos tentando educar Camila, eu e o marido. Ou era para deixar a criança na cama dela a todo custo mesmo que ela gritasse e falasse firme com ela, ou era algo envolvendo trocar leite por água, ou até deixar ela chorar até cansar e pegar no sono. Aquilo não combina muito comigo ou com o marido, e estava meio perdida em como conduzir a situação. Me senti até um pouco desanimada e pensei em desistir e continuar amamentando em livre demanda. Achei que não conseguiria fazer algo do tipo e preferia a privação do sono. Mas aqui em casa, não só eu estava sem dormir, mas também o marido e a própria Camila. Eu não poderia deixar este assunto de lado. 


Foi quando uma amiga me mandou um link no Facebook sobre a proposta de um médico chamado Jay Gordon. Eu achei super interessante e resolvi adaptar da maneira que pude aqui conosco (e parece que está dando certo). Acho que valeria a leitura por parte de vocês do artigo na íntegra, por isso vou pôr o link aqui para pesquisa: 

https://m.facebook.com/notes/solu%C3%A7%C3%B5es-para-noites-sem-choro/plano-do-dr-jay-gordon-mudando-o-padr%C3%A3o-de-sono-na-cama-familiar/236273189730431/

mas resumidamente, o método envolve cama compartilhada e um bebê que tenha pelo menos 1 ano de vida. Para ele, a criança que ficaria agora sem o peito da mamãe à noite, o qual ela estava completamente acostumada e adaptada, precisava se sentir acolhida, segura, e acalentada. Também se levantar mil vezes à noite para o quarto ao lado (que era o meu caso) ficava mais difícil com o método.

Então como fizemos por aqui:

— Nas primeiras 3 noites dormi na minha cama com Mila ao lado. Quando ela acordava pedindo leite, eu explicava para ela que não poderia dar mais, que todos precisavam dormir bem à noite. Mas ela insistia e chorava e eu cedia, mas com uma pequena (e ao mesmo tempo grande) diferença: eu não deixava ela adormecer no peito. Outro detalhe era que eu dizia a ela: “tudo bem filha, só um pouquinho de leite e depois vamos dormir”, antes do mamar. 

Eu estava achando que estava tudo dando muito certo, porque na terceira noite ela não me pediu mais leite quando acordou, me viu, deitou ao meu lado e adormeceu. 


— Nas 3 noites seguintes eu me mantive, como até hoje, sem dar leite a ela depois que adormece. Ela ainda estava na cama compartilhada e parecia que estava dando tudo certo também. Ainda acordava, sentava e pedia leite. Mas eu mal falava: “Não filha, vamos dormir. Amanhã cedinho você toma o leitinho com a mamãe”. Pegava nela. Fazia carinho nas costas e ela deitava e dormia comigo. Ela nem estava chorando mais.

— Nas 3 noites subsequentes mudou um pouco o padrão dela. Não sei se ela teve um pesadelo, mas primeira delas acordou gritando muito. Eu confesso que fiquei tentada a acalma-lá com o peito, mas me mantive firme. Com carinho, amor, ao lado dela, mas dizendo que a amava e que estava tudo bem. Que ela voltasse a dormir e que a mamãe estava com ela. Ela demorou bastante a dormir. Chorava e pedia leitinho. Eu quase chorei junto. Foi terrível de verdade. Aos poucos foi se acalmando e eu estive sempre do lado dela. Na noite seguinte pediu leite novamente e chorou por uns 5 minutos. Mas finalmente dormiu. E na terceira acordou umas duas vezes, mas não chorou tanto dessa vez. 

— A partir daí eu passei mais alguns dias e esperei ela estar mais segura, na minha visão, para poder transferí-la  para sua caminha. Foi logo depois que estava melhor da virose ou crise alérgica que teve e resolvemos fazer a mudança. A primeira noite foi um sucesso total! Mila dormiu sozinha no horário habitual (21:00hs) e só acordou no outro dia (umas 6:00hs). No segundo dia ela acordou com um pesadelo e voltou para a nossa cama. Mas dormiu mais rápido. E nos dias seguintes ela ainda precisou voltar para a nossa cama, mas sempre inicia na cama dela e já compreende que não vai tomar leitinho a noite e só no dia seguinte pela manhã. Outra coisa que mudou é que estamos tentando falar pouco com ela para que não acorde de vez. Mas não deixei de abraçar, acalentar e fazer carinho nela quando isso acontece (como sugere o método que tomei por base).

Eu acredito que ainda temos uma trajetória longa pela frente, mas penso que já evoluímos bastante. Mila só tem acordado 1x à noite e não mais pediu leite para voltar a dormir. Eu estou verdadeiramente impressionada e surpresa com o resultado que já alcançamos. Me sinto muito mais descansada e renovada, assim como o marido e a Camila também. 
Vale ainda ressaltar que eu resolvi adaptar o método à minha maneira e fazer na medida das minhas possibilidades. Também pensei muito na particularidade da Mila, que ainda é muito apegada ao peitinho dela. 

Então foi isso, gente! Desculpa se me estendi, mas precisava explicar em detalhes para que vocês entendessem completamente os meus motivos e o porquê de ter começado apenas depois dos 2 anos dela. Inclusive acredito que isso está ajudando num desmame noturno “sem traumas” porque ela agora já se comunica de maneira mais evidente e de fácil compreensão por nossa parte, facilitando no processo. 

Mesmo sem o leitinho em meio às madrugadas, ela sempre acorda com este sorriso. Mostrando que estamos no caminho certo e que ela continua se sentindo amada e acolhida!
Se tiverem alguma dúvida, podem perguntar.

Beijos,

Ju Jordán 

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6 comentários sobre “O desmame noturno 

  1. Ju, você é uma mãe muito segura. Gosto do seu jeito de pesquisar, estudar, tentar adaptar. É bem por aí que eu sigo tbm. Tenho certeza que essa fase vai ser sucesso total, de forma respeitosa e cheia de amor. Mila é linda e mesmo sabendo que ela é um presente de Deus pra você, preciso dizer que ela teve sorte de ter pais que a amam de verdade e que querem fazê-la uma criança segura de si em meio as mudanças. Siga em frente! Bjus, Nay.

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    1. Nay!!!! ♥️♥️♥️♥️♥️ Que lindas palavras. Obrigada de verdade. Dá para perceber que você transborda amor por onde passa! Acho que nós país estamos sempre assim, né?! Tentando fazer o melhor para os nossos pequenos. Isso que nos move e nos faz mais felizes! Beijos no seu coraçãozão Ju

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  2. Ju. Adorei as dicas!
    Meu filho tem 1 ano e 4 mesed e só dorme se for no peito. Apesar de não mamar a madrugada toda, ele mama algumas vezes por noite. E o problema que estou enfrentando nem é a privação de sono e sim algo relacionado a saúde bucal dele. Em função da amamentação noturna ele adquiriu cárie. Eu não gostaria de parar a amamentação, mas diante disso, me vi obrigada.

    Gostaria de saber se você tbm enfrentou esse problema e como lidou com isso, caso tenha vivido?

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    1. Olá Bruna. Quando fomos na Odontopediatra da Mila ela me alertou sobre este problema da cárie. Graças a Deus Mila não teve até hoje. Temos visitas regulares a ela, que está sempre acompanhando para monitorar esta situação. Ela teve gengivite e placas, mas não chegaram a ser cárie. Mas uma amiga minha já me falou que para evitar isso passava uma solução com algodão nos dentinhos do pequeno Dela logo após as mamadas (ele já dormindo). Foi a dentista quem receitou. De repente da certo por aí. Beijão ❤️❤️❤️

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