APLV – a descoberta 

Faz tempo que estou para contar para vocês como foi a descoberta da APLV da Camila. Parando para refletir, talvez eu tenha postergado tanto esse post porque lá no fundo eu não queria relembrar toda aquela fase inicial difícil: o medo, a angústia, a raiva, a insegurança, a falta de informação, tudo junto e misturado. 

  
Mas, como sei que isso pode ajudar a muitas outras mamães que estão passando por algo parecido, vamos lá! 

Nós nunca percebemos ou desconfiamos da APLV da Mila antes dos 7 meses, com a introdução alimentar. Até aí ela apresentava: baixo ganho de peso, dermatites atópicas e assaduras sem sentido. 

Sobre o baixo ganho de peso nós procuramos as orientações de uma médica pediatra especialista em amamentação, a Dra. Bernadete Dantas (porque Camila só mamava, mas estava ganhando peso abaixo do esperado). Em todas as visitas que tivemos por lá, não encontrei outra coisa que não: informação segura, apoio, alento e tranquilidade ao meu coração. A Dra., junto com a equipe que a acompanha, sempre verificavam que o meu fluxo de leite era bastante bom!   Ela sempre dizia: “Ju, tome bastante líquido, se alimente bem e fique tranquila que leite materno não vai faltar para a sua bebê”. 

  
Mas então, qual era o motivo do baixo ganho de peso de Camila, que nasceu com 3kgs e 750g na maternidade!?  Essa a pergunta que martelava o meu coração sem cessar! 

Camila dormia a noite quase toda desde os primeiros dias de vida (chegava a 10hs seguidas). Então a orientação que recebemos era que talvez ela estivesse “com preguiça” de se alimentar e eu precisaria acordá-la na madrugada para que ela mamasse. Ela dormia muito no meio das mamadas e talvez estivesse apenas consumindo o leite do início (rico em minerais e não em gorduras). 

 

Miloca dorminhoca! ohhh saudade dessa época.
 
Fizemos por uns dias o uso de sondas para que ela tomasse o meu leite ordenhado junto com o da mamada (como se fosse um “canudinho” que ela sugava junto do peito), porque eu não queria aceitar que ela precisaria de um complemento com fórmula, a “culpa” não era do meu leite ou da falta dele, como a maioria das pessoas poderiam pensar. Contratamos uma técnica de enfermagem para me auxiliar na ordenha, mas ela não podia vir todos os dias e nos outros em que eu estava sozinha, não estava conseguindo ordenhar leite e cuidar de Camila ao mesmo tempo. 

Confesso que nessa hora a minha fé ficou um pouco “abalada” e, como o pediatra da Mila já estava insistindo para que nós complementássemos com fórmula, preocupado com o desenvolvimento da pequena, nós resolvemos arriscar. Mas meu coração dizia: “Não!”.

 A minha insegurança e medo de que o que eu sentia poderia não ser “intuição de mãe”, mas sim “teimosia”, falou mais alto e compramos a primeira lata de NAM. 

De cara Camila vomitou o leite. Depois vomitou novamente, mas pensamos ser questão de adaptação. A orientação era para que déssemos uma mamadeira em complemento quando sentíssemos que ela estava irritadiça e com fome, mesmo depois da mamada. Passamos 20 dias complementando 1 mamadeira ao dia para Camila, e normalmente quem oferecia era o papai. Primeiro porque ele queria participar desse momento dela, segundo porque quando ela ia tomar o leite artificial, ela chorava muito e comumente não aceitava. Eu confesso que como meu coração dizia não àquela cena, preferia muitas vezes me afastar para não atrapalhar. Chorava baixinho e pensava comigo que o meu sonho da amamentação exclusiva até os 6 meses de vida da minha filha tinha ido por água abaixo: “Onde foi que eu errei?!”. 

 

Papai sempre presente ♥️
 
Foram 20 dias bem difíceis para nós. 

Depois de um tempo, voltamos à especialista em amamentação para saber se eu já poderia retirar o leite artificial da dieta da Mila e voltar a oferecer apenas o leite materno. A Dra. Bernadete foi um anjo na minha vida que acreditou em mim e no meu potencial de “mãemífera”. Ela me ajudou a acreditar em mim e que eu poderia retirar a mamadeira do dia a dia da minha pequena. Aos pouquinhos ela não tomava mais leite artificial (eu diminui a quantidade e retirei completamente).

A gente percebeu que os 20 dias com o NAM não aumentaram muito o ganho de peso da Mila e quando ela retomou ao aleitamento materno exclusivo esse ganho de peso se manteve sempre baixo. 

 

Mila apesar de todo o histórico se mostrava uma criança feliz, que estava se desenvolvendo direitinho e engordando devagarzinho, no seu ritmo. Isso o mais importante!
 
 
Isso porque estava ganhando peso abaixo do esperado! ♥️
 
Em meio a tudo isso, ela apresentava dermatites atópicas e assaduras. As dermatites achávamos que eram devido ao calor. As assaduras que eram alergia às pomadas que estávamos usando (A+D durante o dia e Desitin rôxa à noite). O pediatra da Mila receitou um hidratante que praticamente é à base de soro fisiológico para as dermatites. Foi quando descobrimos a sua primeira alergia. Camila ficou com o corpo todo coberto em urticárias que sumiram uns 8 minutos após o contato com o hidratante. Ela ainda teve outra “crise alérgica”com o fisiogel (uma amiga nossa que estava usando e pegou nela, acontecendo a mesma reação), que foi quando não tivemos dúvida alguma da alergia. 

Descobrimos também a alergia dela ao protetor solar (mesma reação do fisiogel). Tudo isso sendo relatado ao pediatra que com certeza já ficou “ligado” que ela era uma criança com predisposição para as alergias.

Na introdução alimentar, como expliquei num post anterior, ela vomitou em jato a banana e o mamão (14/16 vezes, num intervalo de 30 minutos). Quando relatamos ao pediatra ele já me falou: “Ju, ela tem APLV, vamos fazer um exame para confirmar”. Eu achei tão estranho aquilo dela vomitar banana e mamão, mas ser alérgica a leite de vaca. Mas ele me explicou que ela provavelmente estaria muito sensibilizada, por isso dos vômitos. Na época ele inclusive me orientou a dar banana cozida para ver se ela aceitava, mas infelizmente os vômitos vieram com a mesma força da primeira vez. Até hoje nunca mais dei banana à minha filha. 

A confirmação veio de fato através do exame de sangue (ela tem alergia mediada por IgE – Imunoglobilina E), não só para a caseína (a principal proteína do leite de vaca), como também para as outras proteínas.

Então foi quando descobrimos de fato a APLV e iniciamos a dieta (até hoje). 

No post de introdução alimentar explico em detalhes o que aconteceu a partir daí (para quem ainda não leu). 

Desculpem o texto longo, mas quis deixar registrado em detalhes como foi a nossa descoberta. 

Deixo aqui também dito que para mim a participação do pediatra da criança é fundamental no tratamento da APLV, porque mesmo não sendo especialista ele quem acompanhou o início do bebê e tem o histórico dele. Além de tudo ele deve ser a pessoa de referência da família, que passa segurança e poderá ajudar é muito no tratamento. 

Outra coisa que gostaria de falar é sobre amamentação: nem todo baixo ganho de peso é “culpa” do leite materno, mas como também nem todo baixo ganho de peso é APLV. 

Então foi isso, pessoal! Qualquer dúvida ou alguma coisa que eu tenha deixado de falar, podem perguntar!

   

Beijos,

Ju Jordán 

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10 comentários sobre “APLV – a descoberta 

  1. Olá ju! Incrível que tudo aconteceu da mesma forma com minha baby. Introduzi o leite nam com 6meses de vida (pois estava com grandes fissuras nos seios) isso sensibilizou o organismo dela e logo surgiu as manchinhas no rosto e corpo. Fizemos o teste e deu aplv. Hoje, com 2 anos ela ainda mama e pesa 11kg. Ou seja, ela sempre ganhou peso, porém bem pouco. Me identifiquei com a história da mila.

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    1. Essa história do ganho de peso é algo que mexe muito com a gente, né?! Sofremos tanto!!! Mas sempre repito pra mim mesma: o que importa é o estado geral da minha filha (que normalmente é ótimo). ♥️♥️♥️✅. Claro, tudo acompanhado pelo médico responsável. ♥️♥️😘

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  2. Oi Ju.

    Você chegou a fazer o teste oral na Milla oi apenas o IgE?? Tenho uma BB de 2 meses e faz 15 dias que descobrimos a aplv, os exames medidos por IgE dela deram todos negativos, mas soube que nessa idade pode dá reakmente um falso negativo. Estou recorrendo a tudo, inclusive homeopatia que li sobre casos onde ela ajudou muito. Minha BB não mama mais pois meu leite secou, não consegui nem amamentar a mais velha também. O meu problema maior são as pessoas ( familiares até mesmo o pai e a irmã, e olha que vão em todas as consultas comigo) que não entendem a alergia, ficam falando sobre a intolerância e eu tenho que explicar mil vezes a diferença. Mesmo assim dizem ser “frescura”. Como vc lhe deu com isso??

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    1. Olá Jaqueline. Nós aqui só fizemos o exame de sangue (IGe). Confesso que não conheço sobre o teste oral que você falou (ingerir leite e observar?!). Soubemos que homeopatia realmente ajuda! Quero marcar uma consulta pra Mila. Sobre as pessoas que mais tinham dificuldade de compreender a situação da alergia por aqui posso te dizer que a família foi a mais resistente. Ninguém queria lavar as mãos depois de pegar em Queijo, muito menos lavar a boca. Ou faziam de cara feia e me achavam neurótica. Mas eu nem ligava. Eu sabia que não era superprotetora, mas cuidadosa e estava seguindo orientações médicas. Mas com o tempo (e infelizmente com as reações da Mila), todos foram compreendendo que não era frescura. Certeza que por aí tudo vai se ajeitando também! ♥️♥️♥️

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  3. O caso da.minha filha foi um pouco.mais tenso. . Só viemos ter certeza agora que.ela tem dois anos e oito meses. . Os sintomas ela tem desde os primeiros dias de vida, mas não sai nada em nenhum exame.. teve que fazer biópsias no intestino onde foram detectadas infecções provenientes de alergia… o teste de provocação também consegui fazer corretamente e o resultado confirmou, após 30 dias sem leite e bem.. introduzi um nos (apenas um) e o estado dela voltou a piorar.. já fazem 20 dias e ela não melhorou ainda.. depois do bis ela não.comeu.mais nada.com.leite …

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  4. Olá Ju!! Estava lendo seu relato da descoberta e fiquei curiosa sobre uma informação. Meu filho de 8 messs tb é aplv mediado por ige. Descobrimos de 4 pra 5 meses. E agora c a IA, tem apresentado reações a outros alimentos, como a banana e o mamão. A curiosidade é sobre os valores do ige específico da caseina e das outraa proteínas do leite. Aqui achei q deu mto alta, 16 ku/l p caseína, por exemplo. Da Camilinha é assim tb? Abs e obgda pelos relatos, desabafos, receitas… só mães aplv pra entenderem mães aplv. Bjs.

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    1. Olá!!! ♥️ O ultimo RAST de Mila para caseína deu mais de 20 ku/l . Altíssimo também. Os outros foram mais baixos ou moderados, mas todos significativos. Ovo ficou em “segundo lugar”, mas não me recordo agora valores.
      Realmente só mamães APLV têm esse tipo de entendimento #Empatia . Beijos

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  5. Oi Ju, desculpa perguntar, mas qual a ligação da banana com a aplv? Meu bebê de 9 meses tem e não tenho comido nada com leite, soja e castanhas (que ele é alergico) e nem dado para ele, mas mesmo assim ele está com dermatite, será que é a banana? A alergista não falou nada, fiquei preocupada…. obg bjos

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    1. Bem… Essa questão da dermatite pode ser ocasionada por outros fatores que não apenas os alimentares. Pergunta ao alergo que com certeza ele vai te explicar melhor do que eu, mas sei que pode ser: fatores ambientais, alimentares e genéticos… Exemplo: até mesmo calor. Espero ter ajudado. Beijos

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