Controle efetivo dos traços de leite (e de outros alergênicos) 

Ontem uma mamãe APLV me perguntou como estou fazendo para controlar efetivamente os traços das proteínas que não estamos podendo comer, eu e Camila, aqui em casa. Foi quando me dei conta que muitas pessoas têm dúvida sobre o tema e acabam desanimando achando que esse processo é mais difícil do que pensavam. Vou mostrar para vocês um passo a passo de como estamos fazendo por aqui, tudo com muita atenção, mas sem neurose.

Primeiro é preciso esclarecer o que de fato são os traços dos alimentos. Eles são resíduos das proteínas deles que podem ficar nos utensílios que utilizamos em nossa rotina diária alimentar. Quando não os higienizamos corretamente, quando compartilhamos a mesma faca que cortou um pedaço de queijo com um outro alimento permitido, quando fazemos uso de potes de plástico para armazenar tanto alimentos “liberados” quanto “proibidos”, existe um alto risco de contaminação cruzada. Para alguns indivíduos alérgicos, só isso já é suficiente para provocar uma reação grave.

Dito isso, vamos ao passo a passo para conseguir controlar os traços das proteínas “interditadas” sem complicação?

1 – Separe esponja de lavar pratos, copos, talheres e louças para seu consumo e do filho alérgico:

Aqui escolhi tudo de cores diferentes para que não houvesse confusão. As esponjas eu guardo em um pote separado (a minha e de Camila) e também, na medida do possível, escolho de cores diferentes.

As esponjas “sem traços” ficam guardadas num pote para nao haver risco de contaminação.

 

Comprei um liquidificador , um conjunto de talheres simples, copos coloridos e separei essa louça diferente da que usamos no nosso dia a dia (branca) para não corrermos o risco de misturar. Esses “mini copos” de vidro são da Camilinha, que nunca se adaptou aos copos de treinamento.
 
2 – Substitua utensílios de plástico e madeira (como copos de liquidificador e tábuas de carne) e compartilhe os de vidro, alumínio e inox, mas não se esqueça de higienizá-los muito bem:

Se, por exemplo, você fez uma vitamina de banana com whey protein (que contém leite) pro marido num liquidificador compartilhado, lave com a esponja comum da casa sem problemas. É só tomar cuidado para limpar direitinho. No caso dos de plástico e madeira, como são mais difíceis de limpar, não adianta nem água fervida (que não “matam” as proteínas). Aqui preferi comprar um liquidificador, talheres e copos para ficar mais fácil a identificação. Ainda falta comprar uma batedeira, já que a minha tem potes de plástico.

3 – Não confie nos rótulos

Todos os alimentos, cosméticos, remédios industrializados a serem consumidos precisam de uma checagem junto aos fabricantes se realmente não possuem traços das proteínas proibidas. Então, não tem jeito: é ligar para o SAC das empresas ainda mandar e-mails e não consumir se não sentir segurança nas respostas.

Esta marca foi sinalizada no grupo de mães do facebook como “limpa” de leite, ovo, soja. Mas, quando liguei para o SAC da empresa recentemente, a telefonista não quis se comprometer e assumiu que existe o risco de contaminação cruzada. Agora enviei um e-mail para a fábrica e estou aguardando retorno. As empresas estão muito reticentes e não querem se comprometer. “De Cecco” por enquanto interditada por aqui.

Para mim, essa parte está sendo a mais difícil de todas. Infelizmente, ainda estamos à mercê do descaso da maioria das indústrias quanto ao problema da alergia alimentar. Mas, graças aos esforços de outras mamães que, como nós, têm filhos com restrições alimentares, existe uma norma que agora obriga as empresas a rotularem direitinho os principais alergênicos (leite, ovo, soja, oleaginosas, crustáceos, trigo…). Elas têm 8 meses para se adequarem completamente. Falta pouco para esse dia chegar (@poenorotulo).

Os alimentos proibidos para nós, mas que o marido consome estão agora em um outro armário. Assim fica mais fácil identificar , principalmente para as meninas que me ajudam aqui em casa (diaristas).

4 – Você precisará consumir apenas alimentos feitos na sua casa

Mesmo que alguns estabelecimentos tenham uma proposta inclusiva e apresentem cardápios para alérgicos, isso não vale para os traços. Gente, até arroz pode estar “contaminado”, não se enganem. Ainda há também um alto risco de contaminação cruzada quando, por exemplo, uma colher suja de manteiga toque por descuido em algum item no seu prato.

Como forma de amenizar essa situação e seguir a linha “APLV sem neura”, como sempre tentei seguir, estou separando cardápios “especiais” para os finais de semana aqui em casa. Além disso, nos encontros de amigos ou família, como teremos no próximo domingo um almoço em um restaurante, como não quero deixar de participar, eu e Camilinha comeremos antes em casa e levarei a sobremesa para lá (não tenho coragem de levar a minha marmita, acho que seria demais, mas mesmo assim não deixarei de confraternizar com a família e ainda faço todo mundo de cobaia das minhas receitinhas).

Ah! Mais uma dica legal é que, caso você vá comprar algum embutido, compre a peça inteira ou pelo menos se certifique que o pessoal tem mais de uma máquina para cortar (e não será na mesma que um tipo de queijo, exemplo).

Pronto, gente! Não tem mistério. Para mim é um esforço extremamente válido, para o bem estar e saúde de um filho.

 

Por um filho vale tudo, né gente?! 🙂
 
E vocês, como estão fazendo por aí? Me contem. 
Beijos,

Ju Jordán

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16 comentários sobre “Controle efetivo dos traços de leite (e de outros alergênicos) 

  1. Ju socorro nao costumo fazer como vc q separa tudo,sera por isso q meu pequeno acorda MUITAS vezes a noite chorando,nao tenho esse privilégio de amamentar,ele nao quis mais o peito com 6 mezes eu ainda incisti mais ele nao quis fiquei MUITO triste por isso,e deis de entao ele toma o leite APTAMIU pepti e quase nao come nao tem uma só noite q ele durna bem, sera q pode estar avendo contaminaçao pelo fato de eu nao separar as coizas dele?

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    1. Katrine,
      A contaminação cruzada pode levar a criança a apresentar reações sim, infelizmente. Como é chato isso, mas é verdade. Aqui separamos tudo como você leu no post, mas, mesmo assim, ela ainda apresenta reações. Então estamos na luta para que ela estabilize. Tudo com o máximo possível de calma e tranquilidade, porque sabíamos que não seria do dia para a noite que isso iria acontecer.
      Acho que vale a pena você tentar essa abordagem e observar como ficará seu pequeno, mas olha, não fica triste ou se sinta culpada. Faz parte do processo e eu tenho certeza que você como mãe está fazendo o seu melhor. Acredite, isso tudo vai passar! Um Beijão Ju

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  2. Oi ju..sou mae de henrique q vai fazer 3 meses agora.. Ele tinha muito refluxo e apos varias medicacoes descobrimos a aplv..melhorou muito quando tirei leite e soja da minha alimentacao..mas ainda tem reacao.. No momemto iniciei a dieta smtodos os alergenicos ( muito dificil) e dra Cristiana me deu teu blog p seguir! Estou passando para dar um oi e falar que vou passar muito por aqui agora!!!😘

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    1. Olá Carolina! Bem vinda!!! ♥️🙂
      Que bom que você conseguiu o diagnóstico logo, assim fica mais fácil o tratamento e a tolerância oral! Realmente no início é BEM difícil a dieta, mas você vai ver que depois tudo se ajeita! ♥️ Você vai ficar surpresa com a quantidade de alimentos saborosos que podemos descobrir por causa da APLV. Se precisar de algo pode mandar e-mail ou falamos por aqui mesmo. No Instagram estou sempre presente e por aqui também! Beijão

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  3. Ju, boa tarde.
    Sou mãe do Joaquim, aos 2 meses descobrimos que ele tem APLV. Estou fazendo dieta, restrições na minha alimentação.
    Não tenho muito conhecimento sobre o assunto. Gostaria de saber mais… vc me indicaria algo?
    Estou com restrição de leiteS e derivados l, soja e ovos.
    É bem difícil. . Mas pelo bem estar do meu bebê vale a pena.
    Obrigada. 😚

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    1. Olá Jerusa. No início a gente fica cheia de dúvidas mesmo, é natural. As restrições são algo que com um tempo você vai aprender a “driblar” descobrindo novos alimentos e sabores que nunca imaginou. ♥️ Eu indicaria você a pesquisar em artigos científicos (eu baixava muito na internet) e com pessoas da área. No mais, não tem muito mistério. É fazer a dieta. Aguardar um tempo e torcer pela tolerância oral. Mas até lá saiba que existem opções deliciosas e você não está sozinha. ♥️♥️♥️💗💗💗 Se precisar de algo mais específico estou aqui. Beijos Ju

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  4. Boa tarde,
    Meu neto tem 4 meses descobrir que ele tem APLV, o médico me passou Aptamil pepti mas ele não se deu bem. O que faço o que posso dar pra ele comer pra substituir o leite pois ele não mama mais na mãe dele. Tem outro leite? que posso dar me ajude por favor.

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    1. Olá Keila. Bem vinda. Se seu neto não se adaptou ao leite prescrito pelo médico, vocês precisam perguntar a ele qual seria o substituto. Existem várias fórmulas indicadas para crianças com alergia ao leite de vaca, mas cada uma delas tem uma indicação precisa. O profissional médico que está acompanhando seu netinho saberá melhor orienta-lá quanto a isso. No caso da Mila, se ela não tivesse o leite da mamãe (que Graças a Deus até hoje é o único que ela toma e nunca faltou), o único indicado seria o Neocate. Espero que vocês consigam uma fórmula que ele consiga se adaptar o mais rápido possível. Um beijo e qualquer coisa estamos aqui. Ju

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  5. Ola.
    Amamento meu filho de 1 ano e meio…fazemos a dieta.
    Você citou embutidos….sobre pela inteira.Por acaso você sabe algum presunto limpo pra consumo comprando a peça?você conhece/usa alguma marca?????

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    1. Olá! Eu uso o blanquet de peru da Sadia em algumas das minhas refeições, mas nunca dei a Mila. Eu liguei para o SAC e eles me garantiram que era livre de traços, mas nunca confirmei por e-mail para este caso. Consumo, mas moderadamente. Eles disseram para eu não consumir presunto que poderia ter traços. Eles usam leite para amolecer a “carne” 😞. Beijos

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  6. Olá! Aqui em casa, meu marido e eu, optamos por fazer a dieta isenta dos alimentos alergênicos junto com o nosso filho (Samyr); Dessa forma, nossas compras de supermercado resumem-se em “APENAS O QUE Samyr PODE!” Assim, não corremos o risco de contaminação cruzada e traços, pois, nosso filho apresenta como reação alérgica o choque anafilático entre outras. E mais! Dá para se viver, e muito bem! #Semleite e todas essas porcarias (produtos alimentícios), que são vendidos nos supermercados. O ser humano é a unica espécie de ser vivo que consome leite após a infância. Ressalto ainda! que esse consumo, nem se trata do leite materno, mas do leite de outro animal (vaca, cabra…). Por que? Para que? Já pararam para se perguntar isso?
    Até onde sei, o leite da vaca foi feito para alimentar o bezerro, assim como o nosso leite materno foi feito para amamentar nossos bebês! Acredito que uma criança com alergia alimentar múltipla, como é o caso do meu filho, é uma CRIANÇA ABENÇOADA! Pois, ao invés de trazer tristeza e lamentos à uma família, que de repente se ver em uma nova rotina alimentar, trás saúde “subliminar” em uma alimentação totalmente saudável. Prefiro mil vezes passar 2 ou 3 horas dentro da minha cozinha fazendo bolos, biscoitinhos e suco natural para o lanche da escola do meu filho, ao lhe oferecer um pacote de biscoito “rico” em açúcar, corantes e/ou sódio, e muios outros ingredientes, produtos químicos que nem sabemos sua origem; Prefiro mil vezes fazer aquele almoço do dia de domingo, ao reunir a família, ao ter que oferecer uma pizza o lanche de uma lanchonete fast food qualquer! Meu filho não precisa de um danoninho ou de um leite pasteurizado que dura mais de 6 meses na prateleira de um supermercado. Meu filho precisa de frutas e alimentos frescos! Hoje minha família e eu, temos na nossa messa alimentos saudáveis e não produtos alimentícios! Ser mãe de um APLV, ou no meu caso, de uma criança com alergia múltipla alimentar …é retroceder no tempo e comer tão bem quanto nossos avós e bisavós comiam; É ignorar a bilionária mídia publicitária dos produtos alimentícios; É dar mais saúde e anos de vida ao seu filho. PENSEM NISSO! Sou muito mais feliz com um APLV 😉

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