A nova abordagem na dieta alimentar (primeiras impressões)

Hoje faz exatamente duas semanas que voltamos na gastro pediatra da Camila e ela resolveu mudar completamente a nossa dieta por um período de pelo menos um mês, para observarmos os resultados e tirarmos nossas conclusões.

Até então temos a confirmação absoluta da alergia da nossa pequena a leite e ovo (mediada por IGe – Imunoglobulina E). Porém, devido a todas as reações que ela apresentou também a outros alimentos como: corantes, banana, mamão, batata doce, soja, cacau, côco, oleaginosas (através do LM – leite materno) e crustáceos (também através do LM), nós resolvemos retirá-los não só da dieta dela como também da minha, já que como vocês sabem, o único leite que ela toma é o da mamãe aqui. Além de tudo, agora estamos fazendo o controle dos traços também.

A alergia a proteína do leite de vaca tem “cura” ou, melhor dizendo, a criança consegue desenvolver a tolerância oral,  em 90% dos casos ou mais. Muitos especialistas falam que a amamentação ajuda nesse processo e mesmo com todas as dificuldades por causa da dieta e principalmente das “intercorrências” ao longo do caminho, eu acredito que seja a melhor opção para o bebê (quando há essa possibilidade por parte das mamães, lógico!).

  
A novidade é que muitos estudiosos da área estão indicando que as mães não façam uma dieta ultra rígida a partir dos 6 meses de vida do bebê (quando ele começa a desenvolver seu próprio sistema imunológico). Para eles, é até importante que passem os “traços de leite” para que sejam espécies de “vacinas” contra a alergia. Por isso, aqui ninguém era radical ou ultra rígido na dieta. Eu comia fora de casa nos finais de semana, fazendo mil perguntas ao chef, me certificando como podia sobre os rótulos e observando as reações na minha filha. O pessoal dos restaurantes que frequentávamos já nos conhecem e são super gentis conosco! Aqui nunca fomos paranóicos, mas claro tudo orientado pela equipe que cuida da Camila (pediatra, Gastro pediatra, nutricionista e alergologista). Porém, como Camila nunca estabilizou de verdade (hoje ela tem 1 ano e 6 meses e descobrimos a APLV aos 7 meses dela), sempre apresentando algumas possíveis reações alérgicas ou desconfortos vários (urticárias, assaduras, cólicas, crises respiratórias de maior ou menor intensidade e algumas vezes reações mais graves como: olhos inchados, chiado no peito, dificuldade para respirar, choro intenso e prolongado, dificuldade para mamar, vômitos em jato), resolvemos mudar a abordagem no tratamento dela.

A primeira grande mudança na dieta, além dos cortes dos alimentos que citei, é claro, foi o fato de que agora precisamos que o controle dos traços seja de fato efetivo, para minimizarmos o risco de contaminação cruzada nos alimentos que consumimos. Por isso, não estamos mais comendo fora de casa. Talvez seja ainda muito cedo para falar, até porque no último feriado (de 30 de outubro a 2 de novembro) estivemos viajando e não pude me organizar a tempo de preparar as minhas marmitas, além das de Camila para a viagem. Então, de fato estamos há apenas 9 dias nos alimentando apenas em casa. Porém, confesso a vocês que imaginei que seria mais difícil essa parte, já que adoro sair para almoçar e jantar fora. O que posso dizer é que por enquanto está tudo “ok”. Abasteci a geladeira com comidinhas diferentes das que normalmente comíamos no dia a dia e deixo para o final de semana um cardápio mais elaborado, para tentar não cair na monotonia.

A outra mudança também foi relacionada ao controle dos traços dos alimentos que possivelmente estão fazendo mal à Camila. Essa parte está sendo mais difícil. Infelizmente não temos ainda segurança nos rótulos dos nossos alimentos. Um simples arroz pode estar “contaminado”. Por isso, nossa estratégia tem sido: usar a lista elaborada previamente por um grupo de mães APLV no Facebook (“Meu filho é alérgico a leite – MFAL) que contém alimentos livres de leite, ovo e soja e confirmar se os que eu gostaria de consumir são realmente livres dessas proteínas, além das outras que precisamos “cortar”. Então eu ligo para o SAC das empresas e ainda envio e-mail para me assegurar. Faço isso porque a lista pode estar “obsoleta”, já que mesmo acreditando verdadeiramente que as meninas tomam sempre muito cuidado ao colocar qualquer alimento nela, com essa nova lei de rotulagem, muitas empresas estão mais reticentes nas suas respostas e não querendo se “comprometer”. Infelizmente, muitas delas não levam à sério a alergia alimentar e não imaginam que um simples traço do alimento pode fazer muito mal a um indivíduo alérgico.

 

Alguns dos industrializados que comsumo sem medo de contaminação cruzada. A nestlé, inclusive, é uma das empresas que sempre rotula direitinho. Fiquem ligados!
 
Não estamos 100% na dieta porque ainda não consegui concluir minhas pesquisas sobre os traços dos alimentos, cosméticos e medicamentos que utilizamos por aqui (sim, é preciso ficarmos ligados inclusive neles). Mas até lá estou evitando como posso os industrializados que ainda não sinto segurança se são realmente livres da contaminação cruzada. Para vocês terem noção, eu tenho enxaquecas de vez em quando e semana passada não tomei o remédio que normalmente tomo por medo de ter leite ou soja ou outro componente proibido para mim em sua composição.

Apesar das dificuldades, compartilho com vocês que nesses poucos dias de dieta Camila já está mostrando “melhora”. Ela que dormia no máximo 2 ou 3hs seguidas, acordava gemendo, chorando, às vezes gritando, em algumas noites só queria meu colo e parecia sentir dor porque nenhuma posição estava boa para ela (isso desde os 7 meses de vida), faz alguns dias que está dormindo a noite quase toda (ontem foram 6hs e 20 min de descanso ininterrupto). Acho que a última vez que isso aconteceu foi em Fernando de Noronha (há 2 meses), quando viajamos e ela mal se alimentou de alguma coisa que não fosse o LM, além do fato de estar exausta, claro e dormiu super bem.Repito, sei que ainda é cedo para tirarmos qualquer conclusão sobre a eficácia da dieta, até porque ela ainda não está completamente “afinada” e não quero criar expectativas erradas, mas sinto que estamos no caminho correto. Meu coração está em paz. Vocês entendem isso de intuição de mãe? Exatamente assim.

  
Então tem sido essa a nossa nova abordagem no tratamento da alergia alimentar da Camilinha. Como digo sempre, continuamos no “Time APLV sem neura”, procurando relaxar e talvez finalmente estaremos no caminho mais acertado para a nossa pequenina, o que me deixa muito feliz!

Uma mãe de alérgico está entendendo o meu sentimento de agora.Obrigada por me deixarem compartilhar isso com vocês.

  
Se tiverem alguma dúvida ou comentário é só falar.

Beijos,

Ju Jordán

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6 comentários sobre “A nova abordagem na dieta alimentar (primeiras impressões)

  1. Olá Juliana, eu lendo…e percebi…nossa o q não fazemos pelos filhos!! Tudo pelo bem maior, nossos filhos!! Meu filho é alérgico a ovo e a leite tbm, tem 1 ano e 3 meses. Espero q não seja mais alérgico a nenhum outro tipo de alimento. Moramos no Rio de Janeiro, meu esposo é de Recife tbm. :). Descobrimos a APLV com 10 dias de nascido, imagina! Passamos por um período bastante apreensivos no começo, quando ele ficou internado. Hj já é mais tranquilo, mantendo. Mais as vezes surge coriza, chiado, ouvido inflamado… Tudo q vc comentou. Fico sem chão quando isso acontece. Pois bem, aki no Rio o governo tem um programa de distribuição de leite com acompanhamento, no caso do meu filho, Mario Jr ele tem consulta praticamente todo o mês com gastro e nutricionista. Mario Jr não mama no peito desde então. Seria interessante pra vc. O q achas? Gostei muito das suas palavras, muito mesmo. . . estou a procura de receitas de bolo de caneca p/ baby. E qual é o profile no face, gostaria de participar. Bjo grande!

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    1. Olá Marcia. Fico feliz que você gostou do post. Minha intenção é poder compartilhar com pessoas que passam pelo mesmo que nós. 💗. Aqui Mila ainda mama e não toma complemento com outro leite. Graças a Deus tenho leitinho para ela e posso fazer a dieta. Estou aqui torcendo que ela estabilize para podermos ficar mais tranquilos. Fazendo todo o meu melhor, assim como você 💗. Somos mães e fazemos mesmo tudo e mais um pouco pelos filhos. Algo lindo mesmo, né? No face minha fanpage é /tudosemleite . Beijão

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  2. Nossa Juliana realmente fazemos de tudo pelos nossos babys, Mario Jr meu filhote é alérgico a leite e ovos, não mama no peito, ele está incluído num programa que tem aki no Rio; seria bem interessante pra vc, o q achas? Gostei muito do seu blog, muito mesmo. Estou a procura de bolo de caneca pro *dengo. 🙂 qual é o profile do face? -eu gostaria de participar. Bjo grande!

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