Viajando com um baby alérgico 

  
Para quem não sabe, nós somos de Recife e no final de semana passado tivemos um evento em João Pessoa. Fomos de carro mesmo e dormimos apenas uma noite por lá. Mesmo sendo tão curta a viagem, precisamos pensar numa logística especial para a alimentação da Camila.

Até então, descobrimos que a nossa filha tem alergia alimentar importante a leite, ovo, banana e mamão. Digo importante porque foram os alimentos que causaram os sintomas mais graves nela: vômitos em jato imediatamente (até 2 horas do evento de ingestão), dificuldade respiratória, chiado no peito, olhos inchados, boca arroxeada. Talvez tenha também a corante alimentício, mas isso ainda não está confirmado. E tem alergia a proteínas de outros alimentos, mas as reações são mais leves (como batata doce, exemplo, ela fica com urticárias e coriza).

Por tudo isso, antes de viajar, preparei algumas “marmitas” para o almoço e a janta do sábado e o café da manhã e o almoço do domingo e congelei. Pensei em alimentos de mais fácil aceitação para ela: Jerimum, peixe, carninha moída, macaxeira, milho, e almoço com feijãozinho preto que ela gosta bastante.

 

Tudo “ok” na teoria. Mas e na prática? Quando chegamos em João Pessoa estávamos atrasados para o evento e precisávamos almoçar antes de ir, claro! Quando chegamos aos restaurante tivemos a triste surpresa de lá não ter microondas. Camila estava irritada com fome e nós também famintos. Eu já tinha conversado com o cozinheiro e explicado a situação da alergia alimentar e solicitei para mim: arroz, batata frita, salada crua turbinada (com alface, tomate, palmito, cenoura, azeitona, pepino, repolho, milho) e churrasco de filé mignon. Olhei para o marido, pedi para ele caçar um hospital mais próximo no “Waze” (que é um aplicativo de celular como um GPS) e resolvemos juntos dar da minha comida para Camila. 

Vocês têm noção do quanto meu coração ficou na mão nesse momento? Quem me acompanha no Instagram sabe que eu estava com remédios e hospital a postos e procurando manter a calma. Uma decisão que poderia “estragar” toda a nossa viagem, ou então deixá-la mais leve e agradável. Camila está numa fase de querer comer tudo sozinha, então partimos tudo em pedacinhos e colocamos num pratinho para ela mesma se servir. Ela adorou a comidinha e não teve qualquer reação, gente! Felicidade não cabia mais em mim de tão grande! Alívio, libertação, como me falou uma outra “mamãe APLV”. 

 
Na janta ela ainda comeu um pouco da comidinha que levei e ainda demos batata frita do restaurante (que ela amou e como não come sempre, aliás, acho que foi a quarta vez que ela tinha comido, nós oferecemos). Denovo não teve reação. Sabemos que batata frita não tem leite ou derivados, nem ovo ou outras proteínas às quais ela tem alergia, mas existe a contaminação cruzada que poderia ter ocorrido no preparo (ex: usar a mesma faca que corta uma banana e cortar a batata, mesmo depois de lavada por causa da esponja).

Viajar com um bebê alérgico não é fácil. Precisamos nos cercar de todos os cuidados possiveis. Para nós funciona demais levar as comidinhas congeladas, mas às vezes acontecem imprevistos e precisamos usar o bom senso. 

Nós aqui sonhamos com uma vida onde haja maior inclusão para a criança alérgica. Que ela, mesmo pequenina, já perceba que possui uma limitação sim, mas que é possível se sentir parte de um todo. Procuramos olhar para nossa filha como uma pessoa “normal”, que tem uma condição especial, mas temporária. Procuramos olhar para a doença, mas não tratá-la como doente. 

  
Então é isso gente! Gostaram dessa nova categoria do blog? Um espaço nosso para dividir com vocês um pouco dessa nossa rotina de “mamãe APLV”.

Me falem como vocês fazem por aí nas viagens de vocês. Quero saber, tá?

Mil Beijos,

Ju Jordán 

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8 comentários sobre “Viajando com um baby alérgico 

  1. Ju, descobri que minha pequena tinha APLV aos 12 meses. Mas na introdução alimentar ela apresentou as reações as frutar , aos legumes e aos tubérculos. Precisei amamentar exclusivo até quase 8 meses. É angustiante mas aprendemos a lidar com essas situações com o passar do tempo. Sempre viajamos muito, e as marmitas e/ou os alimentos para cozinhar no local ocupam a nossa mala até hoje.
    A entrada na escola foi o momento mais angustiante, mas ela tem se adaptado super bem. Hoje ela tem 2 anos e meio e faço aquela lavagem cerebral nela das coisas que ela não pode nem cheirar….kkkkkk
    Os medicamentos estão distribuídos por todos os locais (casa da avó, das tias, da Madrinha, escola, na bolsa de passeio….) que ela circula junto com as orientações do que ela tem alergia e opções de lanches que ela gosta muito e pode comer, já que à essa idade todos já carregam ela pra passeios sem mim.

    Amei conhecer seu trabalho, vc tem me encorajado à testar coisas novas.
    Mt obrigada
    Um beijo sem neuras de uma mãe que entende teu universo.

    Renata Morais

    Curtido por 1 pessoa

    1. Renata! Demorei que só para responder o seu post porque me emocionei ao ler… Sei que esse será um pouco do meu “futuro próximo” e fico para morrer só de pensar na entrada dela na escola. Camilinha tem alergia ao vapor do queijo, do ovo, exemplo! O cheiro, como você mesma falou!
      Vou precisar, como você, adorar algumas estratégias quando ela estiver longe de mim e isso ainda me deixa um pouco aflita. Mas, procuro deixar a ansiedade de lado e enfrentar essa situação quando chegar o momento, né?!
      Sobre os testes de coisas novas nós aqui em casa tentamos fazer o máximo para que Camila se sinta uma pessoa como qualquer outra. Que tem curiosidade natural pelos alimentos novos, que gostaria de provar algo novo… Tudo com muita cautela, é claro! Remédios à postos, malas de hospital prontas, para caso haja necessidade.
      Obrigada pelo carinho… Você vai ao nosso encontro de mães, não é verdade? Espero poder conhecê-la.
      Beijo no coração.
      Ju Jordán

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  2. Ju sou pediatra e descobri que meu filho tinha aplv com 2 meses quando comi um chocolate ele mamou no
    Meu peito e ficou cheio de urticária ,aos 7 meses fui dar ovo ele fez choque anafilático !!Sou pediatra mas mesmo assim não é nada fácil ser mãe de alergico ,até porque meu filho hoje com um ano e 8 meses tem reação só ao ter contato com o leite de vaca!andamos com adrenalina auto injetável aonde vamos e sempre de olho nele ,e quando viajamos também levamos congelado ,ele nunca almoça em restaurantes por medo de reação cruzada!nao sei se vc conhece o abaixo assinado da sociedade brasileira de pediatria para as crianças com alergia grave terem direito a ter adrenalina ,que é um medicamento caríssimo para comprarmos !!!bom amei seu insta e seu blog,me faz ver que tem gente como eu nesse barco!!!!beijosss

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    1. Olá Luciana! Realmente a nossa “luta” não é nada fácil. Mila teve crises graves que beiraram o choque anafilático, por isso também andamos com as mesmas canetinhas de adrenalina que vocês têm (já assinei no documento da sociedade brasileira de pediatria, espero que dê resultado). Nossos filhos são da mesma idade (Mila está quase completando 1 ano e 8 meses), e tenho esperança que um dia isso amenize. Mas até lá vamos levando com o máximo de leveza possível, porque tanto eles como nós merecemos uma vida numa boa, né? ♥️♥️♥️ beijos e #Tamojunto

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  3. Ju sou pediatra e descobri que meu filho tinha aplv com 2 meses quando comi um chocolate ele mamou no
    Meu peito e ficou cheio de urticária ,aos 7 meses fui dar ovo ele fez choque anafilático !!Sou pediatra mas mesmo assim não é nada fácil ser mãe de alergico ,até porque meu filho hoje com um ano e 8 meses tem reação só ao ter contato com o leite de vaca!andamos com adrenalina auto injetável aonde vamos e sempre de olho nele ,e quando viajamos também levamos congelado ,ele nunca almoça em restaurantes por medo de reação cruzada!nao sei se vc conhece o abaixo assinado da sociedade brasileira de pediatria para as crianças com alergia grave terem direito a ter adrenalina ,que é um medicamento caríssimo para comprarmos !!!bom amei seu insta e seu blog,me faz ver que tem gente como eu nesse barco!!!!beijosss Luciana

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    1. Olá Regiane… Eu ainda amamento a Mila. Quando viajamos, e quando a nossa dieta ainda estava mais rígida (ou seja: sem traços para ela e para mim), foi apenas uma vez. Na época não consegui me organizar 100 por cento para levar todas as minhas comidas e fiz como sempre faço: como em poucos lugares, elenco restaurantes menores onde eu possa conversar com o cozinheiro e explicar com calma a situação, prefiro: sushis, churrasco, que fica mais difícil de ter contaminação cruzada) e levo opções de lanche (bolos, biscoitos, frutas, tudo caseiro). Nas outras viagens eu já estava, por orientação médica, liberada para comer fora e testarmos os possíveis traços que poderiam estar na minha alimentação por conta disso… Mas olha, muitas mamães que ainda estão em dieta mais rígida me relatam que conseguem viajar inclusive para destinos internacionais com comidas congeladas para ela e para o bebê. É só questão de organização e levar um atestado médico para explicar junto à alfândega. Beijos e espero ter ajudado um pouco.

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